domingo, 1 de julho de 2007

epílogo em Natal




Uma cidade pode ser o mais inóspita possível, mas se ela for litorânea, seus habitantes estarão satisfeitos. E quando chove no litoral é como se o mar se aproximasse ainda mais para nos convidar a nos diluirmos também. É bem possível que a chuva que agora molha as telhas seja parte evaporada do oceano, seja o lado pássaro que as águas possuem no desejo de, voando, saírem de sua estabilidade oceânica. Assim, o mar foge um pouco de sua relativa pasmaceira e sobrevoa os lares, convidando os moradores a despertarem para as ondas brancas mais à frente.
- Que frio hoje, né?
- O chão ta frio, mas eu to aqui sem camisa mesmo e não sinto calor nem frio.
- Pois é, o bom daqui é isso mesmo, o frio daqui é “nem frio nem calor.” É o meio-termo, aí a gente não precisa de nenhum recurso assim, tipo nem ventilador nem roupa.
- Vôtis, de roupa eu preciso sim, que eu não vou sair na rua nu.
- Hômi, eu sei, esse hômi é tudo ao pé da letra.
- E esse hômi é cheio dos pensamentos.
- Agora deu.

Um comentário:

Anônimo disse...

era nisso que eu falava.

(Bar)