sábado, 8 de setembro de 2007

o mapa da rua Prinsengracht, Amsterdã

Eu andei em ti, eu segui os teus dedos quando eles faziam o rio tremer o reflexo das luas, eu percorri tuas esquinas e me esquivei de te entender. Eu ando dando atenção ao que é esquecido nas calçadas, eu vejo cigarros desistidos, eu recolho botões abandonados, eu trago o perfume exalado. Tuas ruas se arreganham aos poucos, a gente te excita nas fendas entre tuas casas tão antigas. Tua carne é antiga, mas teu desejo é um vigor glorificado. Eu atravesso as tuas pontes, eu aponto para tuas armadilhas, eu não sei se ali são bandidos ou se são gente abandonada. Eu vejo as janelas amplas, os templos dos homens solitários; eu vejo as torres apontarem para o que é divino. Às quatro da madrugada a tua verdade é mais explícita, os pombos falam mais alto e as estátuas dão um passeio. Recebo a tua ordem de explorações. Esta cidade é o meu corpo, os seus canais são o meu sangue. Chegou a hora da verdade. Eu confesso.

4 comentários:

Letícia disse...

Retribuindo a visita ... Bom resultado teve a sua persistência.

"Eu ando dando atenção ao que é esquecido nas calçadas, eu vejo cigarros desistidos, eu recolho botões abandonados, eu trago o perfume exalado..."

Th Barbalho

Adorei esse trecho. :)
Take care and keep on writing. Maybe one day people will read your words. I'm already doing it.

Thiago Barbalho disse...

é, umas duas ou três pessoas já me fazem esse favor. hehehe
thnks

Letícia disse...

Talvez os erros movam os tais moinhos. :) E sobre o favor, obrigada por estar fazendo o mesmo. Vc escreve muito bem. Sharp as a knife.
Take care.

Anônimo disse...

lindo (imagens se formam)