terça-feira, 25 de setembro de 2007

haverá

A poeira já foi retirada dos aquecedores, o vento apressado se encarrega de derrubar as folhas mais distraídas em amarelar, o chão se molha da chuva e deixa os sapatos sujos entrarem na sala e desarrumarem o que foi limpo, os casacos, embora frios, se alegram de volta ao ofício de esquentar. Não se sabe onde se abrigam os pássaros em um dia molhado, não se espera pelo sol se a nuvem não abre espaço. A boca da noite está mais aberta do que ontem, das bocas dos homens sai um bafo branco, um sopro vital. Há alguém adormecido dentro da banheira morna. Há um gato no sofá. Há um livro sobre a pia. Há uma moeda esquecida no meu bolso. Há o caminho percorrido. Há o dia da volta. Há o hábito de beber e fumar. Há o hálito de café ou de chá. Há o que havia e o que não há.

Um comentário:

Eveline disse...

Sensação assim, entendo. Qnd voltar vai assim continuar a ser pois não vai haver mais o que havia e o que há agora.
Beijos, amor.