quarta-feira, 3 de outubro de 2007
joguinho joyciano
O ônibus chega, entro, sento, vejo casas, ruas, curvas, gente, chove, chego, desço do ônibus, cubro minha cabeça com a capa, procuro, procuro, encontro, tudo bem, como vai, vou bem, ando, anda, falo, fala, entramos no museu, vemos retratos, hiper-realismo, gente ainda viva, olhos de lado, aquarela, acrílica, a tinta secou, aprecia, entendo o artista, partilho da sua epifania, saimos do museu, rio, ri, olho, olha, decido atravessar, o sinal amarelo, corro até o outro lado, fica do lado de lá, espera o sinal verde, espero do lado de cá, os pombos perderam o medo da gente, os ratos ainda não, vejo um quando entro na pizzaria, espero, espero, acompanho o rato, equilibra-se num fio entre a geladeira e o forno, como minha fatia, come sua fatia, comenta algo sobre a pizza daqui ser a melhor, comento algo sobre ratos, comenta algo sobre vigilância sanitária, mastigo, mastiga, perco o rato de vista, o dia cai, a noite se ergue, quero dizer adeus, quero há muito tempo dizer adeus, então digo Adeus, ouço Até mais, penso Até nunca mais, digo A gente se vê, acho que meu ônibus já passou, aproveito e bebo mais uma, agora sozinho.
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Um comentário:
pior se viesse o ônibus beber tb contigo, aí não teria um copo pra caber em tamanha boca
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