Jordaan é a melhor vizinhança de Amsterdã. Ruas apertadas, quietas por si, porém repletas de bares e tavernas cheias aos sábados - e domingos e quintas e sextas e. Pubs com cartazes velhos de filmes mais velhos ainda, galerias de arte feitas a partir de janelas de casas - os artistas que moram por lá transformam suas extensas janelas em vitrines para suas expressões compráveis. Pintura a óleo, desenho a giz, escultura de bronze, reflexo nos canais. Há uma loja de pôsteres de filmes e de jazzistas em ação; outra agrega tudo o que tenha como tema os gatos. Por lá vêem-se também os próprios e reais felinos se espreguiçando entre uma bancada de primeiro andar e um vaso de flores secas pelo vento frio. Os gatos em Jordaan não temem o risco, eles se entrelaçam e deixam a preocupação para depois, enquanto gozam da noite, quieta por fora e turbulenta por dentro.
- Qual o sentido de uma vitrine existir às 3 da madrugada?; se o comércio não funciona, para onde olham os manequins de fibra-de-vidro?; para quem tanto se mostram?
- Para os gatos notívagos de Jordaan.
Uma cerveja é gelada. O vento é úmido e sólido. A rua é de pedras centenárias. As pontes comunicam-se de longe. Os cachecóis dançam de alegria por serem exercidos. Os barcos se embalam em cantigas de sono. Os postes viram pastas luminosas ao serem refletidos nas poças deixadas pela chuva. O ciclista molha as pernas e treme o queixo. Ele carrega consigo um gato no bagageiro. Um gato úmido. Um gato de Jordaan.
domingo, 9 de dezembro de 2007
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Um comentário:
os detalhes em texto, uma foto, eu ainda aqui achando tudo mentalmente aprazível. obrigada.
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