quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

o inexato

De vez em quando o acaso abre espaço e o que nasce é quase raro. No meio do dia, por exemplo, escancara-se o sol, que atravessa trovões e descarrega o seu olhar nos homens expostos ao tempo. No meio do ano, o chão das semanas se rasga e o homem desaba gravemente sem saber o seu fim. Um dia tem a dança ritmada de quem percorre o mesmo caminho em agonia. Um mês tem trinta ou trinta e um dias - muitos passos e pouco risco. Um ano anuncia seus planos, mas ele pode começar em janeiro ou em julho. No dia dois de julho, por exemplo, um ano começou. No dia 21 de junho, por exigência, um ano terminará. Entre tais dias, aconteceu de a Terra errar o próprio rumo - o mundo não sabe ser exato. Por isso, põe-se um dia a mais a cada quatro anos - uma compensação, dada a ignorância lógica da rotina planetária.
E acontece de gente nascer todo dia. Pois inclusive no dia raro, o dia antiquaternário, o que escapa do quadrilátero perfeito, o erro dentro do plano arquitetado pelos calendários. O dia 29 de fevereiro, mesmo abreviado, deixa espaço também para fatos e, por que não?, partos.
Pois atenção: eu nascerei depois de amanhã.

Um comentário:

Anônimo disse...

meu deos, eu juro que num faço nunca mais aquela piada do ei, tu tem 5anos! pro Thiago.